segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

BA: Greve de PMs na BA repercute na imprensa internacional



Ascensão da violência na capital baiana pautou jornais estrangeiros nesta segunda-feira
A greve dos policiais militares da Bahia ocupou o noticiário internacional nesta segunda-feira, dia em que trabalhadores e manifestantes entraram em confronto com o Exército e no qual subiu para 95 o número de homicídios registrados em Salvador e região metropolitana desde o início da paralisação.
A emissora de televisão americana CNN, em sua página na internet, destacou o envio de milhares de soldados para a capital baiana na tentativa de "conter uma onda de saques e assassinatos desencadeados por uma greve policial que começou na semana passada". O texto menciona o uso de balas de borracha para impedir que apoiadores e familiares furem um cerco à Assembleia Legislativa do Estado, ocupada pelos grevistas.
A frase do governador Jaques Wagner - "não negocio como criminosos" - foi lembrada pelo periódico espanholEl País, que também apontou que um dos manifestantes conseguiu passar pelo cordão humano formado pelo Exército e se unir, sob aplauso, aos grevistas no interior do prédio público. O jornal assinala que o Rio de Janeiro também vive a ameaça de greve por parte dos PMs.
O argentino Clarín afirmou que Salvador está "em cinzas" após "subir a tensão" com a chegada das tropas nacionais. O jornal ainda sugere que, "segundo se diz", os saques ao comércio local são obra "dos próprios agentes em greve", descritos adiante no texto como "rebeldes".
"Cresce a tensão" foram também as palavras de outro jornal argentino, La Nación, que noticiou o desligamento da luz elétrica da AL para obrigar os grevistas a saírem do local. A publicação ouviu o líder do movimento, Marcos Printo, segundo o qual "pode ocorrer uma catástrofe" caso o edifício seja invadido pelo Exército.
Os jornais americanos The Washington Post e The Wall Street Journal acompanharam os acontecimentos em Salvador no domingo, ambos destacando a crise na segurança pública no Estado representada no aumento do índice de homicídios.
A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.
Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo. As instituições particulares decidiram adiar o retorno dos estudantes.
Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.
Os PMs amotinados estão acampados no prédio da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), na avenida Paralela, em Salvador. O presidente da AL, deputado Marcelo Nilo (PSDB), solicitou apoio ao general da 6ª Região, Gonçalves Dias, comandante das forças de segurança que estão atuando na Bahia, para a retirada dos grevistas do edifício, que chegou a ser cercado por 600 homens do Exército e teve as luzes desligadas.
Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra), que comanda o movimento, suspenda a greve. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos. Cerca de 40 homens do Comando de Operações Táticas, a tropa de elite da Polícia Federal (PF), foram destacados para cumprir as decisões judiciais.
A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.
Fonte:TERRA

Repórter demitido por falar a verdade



O repórter Valdeck Filho foi demitido por defender o movimento paredista da Polícia Militar da Bahia.

BA: Familiares de policiais grevistas impedem aumento do isolamento



O clima nas imediações da Assembleia Legislativa na tarde desta segunda-feira (6) ficou estável até o momento em que o Exército tentou ampliar o perímetro de isolamento.

Na área externa do prédio há um grupo significativo de pessoas, entre policiais, amigos e familiares dos grevistas que estão de vigília. Os militares então buscaram ampliar a distância entre estes e os manifestantes que ocupam a sede do Poder Legislativo estadual.

Quando o caminho contendo as barras de metal chegou um cordão humano impediu a passagem. Após momentos de tensão entre os militares que tentavam descarregar as grades de contenção e os manifestantes, o comando resolveu desistir da medida. 

Mantimentos

Por volta das 17h30 dezenas de pessoas chegaram à área externa da Assembleia trazendo mantimentos para os familiares e amigos dos grevistas. 

PE: Atenção policiciais e bombeiros Pernambucanos



ALERTA GERAL
Os policiais e bombeiros militares de Pernambuco devem ficar atentos. A qualquer momento a Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados (ACS – PE) estará convocando uma Assembléia Geral para discutir assuntos de interesse da tropa, especialmente sobre as escalas de trabalho escravizantes, a falta de previsão das promoções e outras reivindicações que não foram atendidas, o que vem gerando grande insatisfação entre PMs e BMs .
SOLIDARIEDADE
Neste momento, o coordenador Renílson Bezerra, o diretor José Carlos dos Santos e o advogado Dr. Adalberto Neto estão na Bahia em solidariedade a greve dos PMs daquele estado. Há uma possibilidade de movimento nacional, a qual deverá ser definida ainda esta semana em reunião extraordinária com todos os integrantes da Associação Nacional de Praças (ANASPRA).
Fonte:ACS-PE

BA: Observadores da ONU acompanham greve da PM na Bahia



A Organização das Nações Unidas (ONU) mantém representantes e observadores desde os primeiros dias de ocupação da Assembléia Legislativa da Bahia por integrantes dos movimento grevista da Polícia Militar no último dia 31.

De acordo com Eliseu Fagundes, diretor da missão da Federação Brasileira de Direitos  Humanos (FBDH), diversos excessos foram cometidos nos últimos dias. “Quero deixar claro que não estamos aqui apoiando qualquer lado. Queremos contribuir para que não haja um banho de sangue”.

O diretor da entidade revela que há observadores da ONU junto aos manifestantes nas dependências da Assembleia. “O que nos preocupa ainda mais é que lá existem crianças, mulheres e idosos”.

Fagundes ressalta ainda que o método de cortar o fornecimento de água e alimentação também não é aceitável nesta situação. Para ele, diante da situação a que se chegou, deixar as crianças e idosos sem comer pode provocar danos psicológicos desnecessários. Ele argumenta que não é favorável à participação destas pessoas no protesto, contudo, o fato é que a condição agora é essa.

O representante dos Direitos Humanos também se posiciona contrário ao tratamento dado aos manifestantes. No entendimento da instituição não se pode marginalizar trabalhadores que buscam melhorias de condições trabalho através de greve.

Sobre a estratégia dos manifestantes de ocupar espaços públicos, o membro da FBDH diz que ainda que estejam nestas condições não se pode justificar “banho de sangue”.

Ele avaliou o governo baiano como inábil por ter convocado o Exército para conter o protesto. Segundo Fagundes, os policiais não são terroristas, nem estão ameaçando explodir a Assembleia ou ainda colocando em risco o patrimônio público.

“Estamos aqui e vamos continuar acompanhando tudo para garantir a integridade física e psicológica dos envolvidos. Não podemos deixar uma marca tão negativa para a Bahia. Isso não é bom para ninguém”.  

Foto: Gilberto Júnior // Bocão News