terça-feira, 25 de novembro de 2008

Mortos chegam a 72 em SC; governo avalia liberar recursos via MP

Reuters
As operações de resgate e ajuda a milhares de vítimas das fortes chuvas que deixaram ao menos 72 mortos em Santa Catarina foram intensificadas nesta terça-feira, enquanto o governo federal estuda uma medida provisória para liberar recursos destinados à recuperação da região.

Cinco municípios declararam estado de calamidade, e outros oito continuam inacessíveis desde o fim de semana, com diversas estradas bloqueadas por enchentes e queda de barrancos. Cerca de 30 pessoas ainda estão desaparecidas, o que pode elevar o número de mortos a mais de 100, de acordo com a Defesa Civil de Santa Catarina.

Com mais de 50 mil pessoas desabrigadas ou desalojadas, as autoridades locais tentam se mobilizar para conseguir ajuda e dar seguimento ao resgate e amparo à população.

O governo federal avalia uma medida provisória para liberar recursos, mas o valor ainda não foi definido. "Depende muito da demanda, isso (valor) será definido nas próximas 48 ou 72 horas", disse à Reuters por telefone o secretário nacional de Defesa Civil, Roberto Guimarães, que desde domingo está em Santa Catarina à frente das operações de resgate.

Segundo o secretário, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, sobrevoou regiões atingidas nesta terça-feira e solicitou um vídeo com as imagens. A pedido do ministro, o presidente Lula deve apresentar ao Congresso a medida provisória nos próximos dias.

"Nós tivemos um tsunami de barro, lama, árvores... Veio tudo abaixo, tudo", disse a costureira Josiane Malmann, que foi resgatada por helicópteros num grupo de 200 pessoas que estava sem ter como sair do município de Ilhota, onde morreram 15 pessoas.

Mais de 500 homens do Exército, com auxílio de veículos anfíbios, foram enviados para prestar socorro aos moradores de Blumenau, onde 13 pessoas morreram soterradas, e o prefeito João Paulo Kleinubing declarou no fim de semana estado de calamidade pública. Imagens de TV mostraram ruas da cidade tomadas pela lama, apesar de a chuva ter dado uma trégua.

Em Ilhota, a 111 quilômetros ao norte da capital Florianópolis e onde 15 pessoas morreram desde o fim de semana, o maior número no Estado, pessoas isoladas pelas águas acenavam pedindo ajuda, segundo imagens de TV.

Um grupo de salvamento da Força Área montou uma base na cidade de Navegantes, e governos de outros Estados enviaram helicópteros para ajudar no resgate de pessoas ilhadas.

"Em Ilhota e Itajaí, efetivamente, eles estão com muita água. O município de Itajaí está em torno de 80 por cento submerso", afirmou o secretário de Defesa Civil, que tem realizado sobrevôos diários sobre as áreas mais atingidas. O Estado vem sendo castigado por chuvas constantes há mais de três meses.

AJUDA

Mais de 22 mil pessoas estão em abrigos montados em ginásios, escolas e igrejas, parte da população está sem acesso a água e energia. A Defesa Civil de Santa Catarina pediu a doação de água potável como prioridade, enquanto o governo federal disse ter entregue 286 toneladas de comida para os desabrigados.

O abastecimento de gás em municípios da região e no Rio Grande do Sul também foi afetado com o rompimento de um duto. A Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG) informou em comunicado, nesta terça-feira, que as obras de reparação no trecho do gasoduto rompido pela chuva vão levar 21 dias e que será colocado em prática um plano de contingência para o fornecimento a residências, hospitais e comércio durante o reparo.

Segundo o secretário, a prioridade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é conseguir abrigo, alimento e medicação para a população atingida pelas enchentes e deslizamentos.

"A primeira preocupação é com a integridade física, com a vida. A recomendação do presidente Lula é abrigar, medicar e alimentar as pessoas atingidas", disse o secretário, vinculado ao Ministério da Integração Nacional.

O Instituo Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) informou, por meio de um boletim nesta terça-feira, que as recentes chuvas fortes sobre Santa Catarina foram "resultado do estabelecimento de um bloqueio atmosférico no oceano Atlântico que se formou durante a semana passada".

Segundo o Inpe, a "intensidade das chuvas está diminuindo. O tempo deve ficar nublado com chuva fraca até sábado".

Na década de 1980, o Estado de Santa Catarina também foi castigado pelas cheias. Em 1983, quase 200 mil pessoas ficaram desabrigadas e 49 morreram por causa da chuva, segundo dados oficiais.

Faltam médicos em 10 cidades da Bahia

Eder Luis Santana, do A TARDE On Line

Em dez cidades da Bahia não existe nenhum médico em posto de trabalho permanente. A carência de profissionais atinge todas as especialidades da saúde, inclusive no atendimento básico à população. As informações são do relatório Avaliação Nacional de Demanda de Médicos Especialistas, feito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Nas cidades de Almadina, Lajedinho, Maiquinique, Mascote, Milagres, Muniz Ferreira, Muquém de São Francisco, Novo Horizonte, São José da Vitória e São José do Jacuípe, cerca de 94.429 cidadãos, de acordo com estimativas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), estão prejudicados pela falta de médicos. Em todo país, foram mapeadas 455 localidades nessa mesma situação.

Como metodologia, levou-se em conta os dados do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES), do Ministério da Saúde (MS). O CNES é uma lista obrigatória que deve ser enviada ao MS por todos os estabelecimentos que oferecem serviços de saúde. De acordo com o responsável pelo estudo, o coordenador da Estação de Pesquisas de Sinais de Mercado da UFMG, Sábado Nicolau Girardi, a base do trabalho são os registros do CNES de outubro deste ano.

DÉFICIT – Nas cidades do Nordeste, 42% dos gestores declararam que enfrentam muita dificuldade para contratar pediatras e anestesistas. Outros 33% lamentam que há escassez de psiquiatras e 16% não consegue contratar para o setor de medicina intensiva.

A próxima etapa da pesquisa pretende checar com os prefeitos como é feita a gestão da saúde nesses locais. “Queremos fazer um mapa que associe a falta de médicos com outros fatores sociais, como os índices de mortalidade infantil e de baixo desenvolvimento humano“, comenta Girardi.

Segundo números do Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed), existem 18 mil médicos no Estado. Isso representa um profissional para cada grupo de 800 habitantes, o que está dentro da recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS), que exige um médico para grupos de 800 a mil habitantes.

No entanto, existe uma má distribuição desses trabalhadores e, enquanto a maioria se concentra na capital, falta mão-de-obra para atender no interior. Para o presidente do Sindimed, José Caires Meira, a solução passa pela valorização dos médicos. Isso inclui a elaboração de concursos públicos e planos de carreira para incentivar a permanência deles nas cidades pequenas.

Hoje, a Federação Nacional dos Médicos (Fnam) propõe que seja fixado o salário inicial de R$ 7.503,18 para os médicos com atuação de 20 horas semanais. Porém, as prefeituras do interior têm aderido ao pagamento de R$ 6 a 8 mil pelo dobro de tempo trabalhado (40 horas). “E na maioria das vezes são assinados contratos irregulares ou são acertos informais, sem nenhuma garantia trabalhista“, completa o presidente do Sindmed.

De acordo com a assessoria de comunicação da Secretária Estadual de Saúde (Sesab), o secretário Jorge Solla não podia dar entrevista nesta tarde para comentar o relatório da UFMG. Ainda segundo a assessoria, o secretário também não poderá dar entrevista nesta quarta-feira, dia 26, pois está de viagem marcada para Brasília.

Veja a relação de municípios e a população estimada pelo IBGE:

Almadina - 6.742
Lajedinho - 4.461
Maiquinique - 8.713
Mascote - 16.557
Milagres - 12.100
Muniz Ferreira - 7.214
Muquém de São Francisco - 10.547
Novo Horizonte - 10.860
São José da Vitória - 6.270
São José do Jacuípe - 10.965


quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Juiz nota 10 (exemplo p Brasil)‏




Odilon de Oliveira, de 56 anos, estende o colchonete no piso frio da sala, puxa o edredom e prepara-se para dormir ali mesmo, no chão, sob a vigilância
de sete agentes federais fortemente armados. Oliveira é juiz federal em Ponta Porã , cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai e, jurado de morte pelo crime organizado, está morando no fórum da cidade. Só sai quando extremamente necessário, sob forte escolta. Em um ano, o juiz condenou 114 traficantes a penas, somadas, de 919 anos e 6 meses de cadeia, e ainda confiscou seus bens. Como os que pôs atrás das grades, ele perdeu a liberdade. 'A única diferença é que tenho a chave da minha prisão.'

Traficantes brasileiros que agem no Paraguai se dispõem a pagar US$ 300 mil para vê-lo morto. Desde junho do ano passado, quando o juiz assumiu a vara
de Ponta Porã, porta de entrada da cocaína e da maconha distribuídas em grande parte do País, as organizações criminosas tiveram muitas baixas.
Nos últimos 12 meses, sua vara foi a que mais condenou traficantes no País.
Oliveira confiscou ainda 12 fazendas, num total de 12.832 hectares , 3 mansões - uma, em Ponta Porã , avaliada em R$ 5,8 milhões - 3 apartamentos, 3 casas, dezenas de veículos e 3 aviões, tudo comprado com dinheiro das drogas. Por meio de telefonemas, cartas anônimas e avisos mandados por presos, Oliveira soube que estavam dispostos a comprar sua morte. 'Os agentes descobriram planos para me matar, inicialmente com oferta de US$100 mil.' No dia 26 de junho, o jornal paraguaio Lá Nación informou que a cotação do juiz no mercado do crime encomendado havia subido para US$ 300 mil. 'Estou valorizado', brincou. Ele recebeu um carro com blindagem para tiros de fuzil AR-15 e passou a andar escoltado. Para preservar a família, mudou-se para o quartel do Exército e em seguida para um hotel. Há duas semanas, decidiu transformar o prédio do Fórum Federal em casa. 'No hotel, a escolta chamava muito a atenção e dava despesa para a PF.' É o único caso de juiz que vive confinado no Brasil. A sala de despachos de Oliveira virou quarto de dormir. No armário de madeira, antes abarr otado de processos, estão colchonete, roupas de cama e objetos de uso pessoal. O banheiro privativo ganhou chuveiro. A família - mulher, filho e duas filhas, que ia mudar para Ponta Porã, teve de continuar em Campo Grande . O juiz só vai para casa a cada 15 dias, com seguranças. Oliveira teve de abrir mão dos restaurantes e almoça um marmitex, comprado em locais estratégicos, porque o juiz já foi ameaçado de envenenamento. O jantar é feito ali mesmo. Entre um processo e outro, toma um suco ou come uma fruta. 'Sozinho, não me arrisco a sair nem na calçada.'
Uma sala de audiências virou dormitório, com três beliches e televisão. Quando o juiz precisa cortar o cabelo, veste colete à prova de bala e sai com a escolta. 'Estou aqui há um ano e nem conheço a cidade.' Na última ida a um shopping, foi abordado por um traficante. Os agentes tiveram de intervir. Hora extra. Azar do tráfico que o juiz tenha de ficar recluso. Acostumado a deitar cedo e levantar de madrugada, ele preenche o tempo com trabalho. De seu 'bunker', auxiliado por funcionários que trabalham até alta noite, vai disparando sentenças. Como a que condenou o mega traficante Erineu Domingos Soligo, o Pingo, a 26 anos e 4 meses de reclusão, mais multa de R$ 285 mil e o confisco de R$ 2,4 milhões resultantes de lavagem de dinheiro, além da perda de duas fazendas, dois terrenos e todo o gado. Carlos Pavão Espíndola foi condenado a 10 anos de prisão e multa de R$ 28,6 mil. Os irmãos , condenados respectivamente a 21 anos de reclusão e multa de R$78,5 mil e 16 anos de reclusão, mais multa de R$56 mil, perderam três fazendas. O mega traficante Carlos Alberto da Silva Duro pegou 11 anos, multa de R$82,3 mil e perdeu R$ 733 mil, três terrenos e uma caminhonete. Aldo José Marques Brandão pegou 27 anos, mais multa de R$ 272 mil, e teve confiscados R$ 875 mil e uma fazenda.
Doze réus foram extraditados do Paraguai a pedido do juiz, inclusive o 'rei da soja' no país vizinho, Odacir Antonio Dametto, e Sandro Mendonça do Nascimento, braço direito do traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. 'As autoridades paraguaias passaram a colaborar porque estão vendo os criminosos serem condenados.' O juiz não se intimida com as ameaças e não se rende a apelos da família, que quer vê-lo longe desse barril de pólvora. Ele é titular de uma vara em Campo Grande e poderia ser transferido, mas acha 'dever de ofício' enfrentar o narcotráfico. 'Quem traz mais danos à sociedade é mega traficante. Não posso ignorar isso e prender só mulas (pequenos traficantes) em troca de dormir tranqüilo e andar sem segurança.'
ESTE MERECE NOSSOS APLAUSOS!
POR ACASO A MÍDIA NOTICIOU ESSA BRAVURA QUE O BRASIL PRECISA SABER?
POR FAVOR, FAÇA A SUA PARTE! DIVULGUE O MÁXIMO QUE PUDER!!!



quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Mundo animal

Quem disse que animal não pensa?, Quem falou isso está totalmente enganado pois esse aí pensa direito, veja!

Servidores administrativos da Ufba paralisam atividades por 48 horas

Paula Pitta, do A TARDE On Line

Os servidores administrativos da Universidade Federal da Bahia (Ufba) paralisaram as atividades por 48 horas, a partir desta quarta-feira, 5. A manifestação é uma forma de pressionar o Governo Federal por conta do não cumprimento de um acordo de 2007. Os funcionários querem que o governo reveja o veto ao step constante (sistema de promoção linear dos servidores) e não aprove a criação da Fundação Estatal do Direito Privado.
“É um estado de alerta, estamos dizendo que se o governo não cumprir o acordo, vamos entrar em greve”, ameaça Cássia Maciel, diretora do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos da Ufba e UFRB (Assufba).
A categoria teme que o Governo Federal volte atrás sobre o acordo que previa reajuste da tabela de pagamento em 2008, 2009 e 2010. “Até agora não há uma posição oficial, mas já houve comentário de que seria suspenso, por isso nosso temor”, acrescenta Cássia.
O vice-reitor da Ufba, Francisco Mesquita afirma que, até o momento, a instituição não foi informada de que o acordo não será cumprido. “Não chegou nenhuma posição sobre isso, mas o sindicato está fazendo o seu papel de pressionar e garantir o que foi acordado”, diz.
Promoção - Sobre o reajuste da tabela, o governo vem cumprindo o acertado, enquanto sobre o step constante houve um retrocesso. “Sempre recebemos um percentual de aumento quando mudávamos de categoria. Agora, o governo vetou o step constante, o que não aceitamos”, critica Antônio Bonfim, diretor da Assufba.
O percentual de reajuste do step é de 3,6%, com previsão de ser pago em janeiro de 2009. “Se não acontecer, será um ataque ao plano de carreira do servidor. Sem esse reajuste fixo para todos os trabalhadores, o governo teria a liberdade de promover alguns funcionários e outros não. Com o step, isso é linear para toda a categoria”, detalha Cássia.
Privatização - A última reclamação dos servidores é sobre a criação da Fundação Estatal de Direito Privado, que é avaliada na Câmara de Deputados. “Essa fundação seria o mesmo que privatizar a universidade, implantando o Estado mínimo no Brasil. O Governo se livraria de administrar algumas áreas, alegando agilidade para o setor”, diz Cássia.
De acordo com ela, com essa mudança, os hospitais universitários deixariam de ser geridos pelas universidades e virariam fundações autônomas. “As fundações não entrariam no orçamento das universidades ou da União. Teriam que sobreviver vendendo serviço para o SUS ou para o setor privado, o que significa redução no atendimento a população carente. Nosso questionamento é como vão conseguir manter a fundação sem recurso, com pesquisa e atendendo pelo SUS”, questiona.
Com intuito de alertar a população para a possível redução e precarização do atendimento nos hospitais universitários, a categoria fará um ato público, nesta quinta-feira, 6, às 7 horas, em frente ao Hospital das Clínicas. Na ocasião, eles vão distribuir tarjas pretas para os funcionários da unidade.
Serviços - O Hospital das Clínicas e Maternidade Climério de Oliveira mantêm atendimento apesar da paralisação. “Nossa orientação é que quem trabalha na assistência a população não paralise as atividades, mas trabalhe com a tarja preta de protesto”, diz Cássia.
O sindicato não tem balanço de adesão da categoria, nem quais serviços estão prejudicados com o movimento, mas acredita no comprometimento do atendimento nas secretarias, bibliotecas e laboratórios da Ufba e UFRB.
“O funcionamento foi prejudicado, mas as aulas estão mantidas, até porque, é uma paralisação de advertência de dois dias”, diz Mesquita, informando que, até agora, não recebeu reclamação sobre problemas nos setores administrativos da instituição.
Na Bahia, existem cerca de sete mil servidores federais na Ufba e UFRB, de acordo com o sindicato. Destes, cerca de 1.900 trabalham nas unidades de saúde. Em todo Brasil, são 156 mil servidores. A paralisação é nacional e deve afetar outras universidades federais.