Capa Correio da bahia
domingo, 13 de julho de 2008
Constatada mudança de hábitos após Lei Seca
O número de acidentes em Salvador caiu mais da metade desde que começou a Lei Seca. É o reflexo da mudança de comportamento do motorista, que cria alternativas para sair da proibida dobradinha 'bebida e direção'.
Quem trabalha nos bares e restaurantes já percebeu que o consumo de bebida alcoólica diminuiu. “Caiu bastante. Aumentou a vendagem da cerveja sem álcool e refrigerante”, declara José Costa, sub-gerente de bar.
Para não ficar sem a cervejinha no sábado, um grupo foi para o bar de táxi. Nas ruas, taxistas confirmam: tem gente deixando o carro em casa. “Muitas pessoas têm ligado e solicitado nossos serviços”, declara o taxista Antônio Lima.
A lei entrou em vigor há pouco mais de vinte dias. De lá para cá, houve uma redução de 55% no número de acidentes em Salvador. De acordo com a Superintendência de Engenharia de Tráfego (SET), antes da fiscalização 8% os motoristas abordados aparentavam ter ingerido bebida alcoólica. Hoje esse índice caiu para 1,5%.
Outro dado positivo é que o número de mortos e feridos em acidentes de trânsito diminuiu 43%. “A mudança de hábito já está sendo constatada e isso nos leva a uma consciência do motorista”, afirma Leurentino Neto, assessor técnico da SET.
A multa para quem for flagrado dirigindo alcoolizado é de R$ 957,70. O motorista ganha sete pontos na carteira e pode ter o documento apreendido por um ano. Se tiver mais de 0,3 miligramas de álcool por litro de sangue, ainda pode ser preso.
Setor imobiliário cria novos bairros em Salvador
Graciela Alvarez
A oferta de crédito, os prazos alongados para pagamento e os juros mais baixos, aliados ao aumento do poder de compra do consumidor, vêm provocando um verdadeiro boom no mercado imobiliário brasileiro. Na Bahia, somente no primeiro trimestre deste ano, houve um incremento de nada menos que 200,78% no número de unidades comercializadas em relação ao mesmo período do ano passado. Esse aquecimento está fazendo com que os terrenos fiquem cada vez mais escassos e caros. De olho no mercado, construtoras estão apostando em locais mais distantes do centro para construir megaempreendimentos que são considerados verdadeiros bairros, muitas vezes até com população superior à de muitas cidades do interior baiano.
Segurança, espaço, comodidade, tranqüilidade e diversas opções de lazer. Essas são algumas das vantagens garantidas por esses condomínios, que, nos últimos dez anos, têm se tornado tendência nas grandes cidades brasileiras. Normalmente, eles são instalados longe dos centros, em áreas fechadas, com prédios menores e/ou casas divididas por lotes. De acordo com especialista, esse tipo de empreendimentos é chamado também de bairro planejado, e lembram as antigas vilas, que há muito tempo eram conceituadas como conjuntos habitacionais em ruas particulares.
O arquiteto Luiz Antunes Nery explica que o surgimento desses “novos bairros” nada mais é do que o crescimento da demanda habitacional. Para ele, que atua há mais de quatro décadas na área, a procura por essa modalidade de habitação, especialmente nos últimos dois anos, se justifica pelas vantagens que os bairros planejados oferecem, proporcionando melhoria na qualidade de vida dos moradores, com custos eqüivalentes aos dos imóveis dos centros urbanos. “Com o crescimento da cidade é inevitável que este segmento cresça e se destaque no mercado imobiliário. Vazios precisam ser ocupados, mas de forma legal”, destaca ele.
Nery diz que a capital baiana possui três vetores de crescimento. Um é a Paralela (orla oceânica), que já serve de palco para muitos bairros planejados, a exemplo do Alphaville Salvador e do condomínio que surgirá da parceria entre a Fator Realty e a Rossi, que terá 20 prédios, dois mil apartamentos e cerca de oito mil moradores, população maior que a cidade baiana de Ichu, que possui 5,9 mil habitantes, de acordo com o IBGE. Outro vetor é a orla insular, que, segundo o arquiteto, compreende o subúrbio ferroviário. Entre a orla insular e a orla atlântica, denominada de miolo da cidade, fica outro vetor, como a região entre a Estrada Velha do Aeroporto e a Estrada Cia/Aeroporto. Este último local já começa a receber as suas primeiras construções imobiliárias, a exemplo do Canto Belo Aeroporto, da Norcon, que englobará 12 torres de dez pavimentos cada.
“Durante muitos anos, Salvador teve seu crescimento urbano desordenado, gerando uma proliferação de favelas, como o Bairro da Paz e as Malvinas. Hoje, a cidade está crescendo de maneira formal. Isso é saudável porque um empreendimento gera ordenamento e tributos para o município”, pontua o arquiteto. Para ele, quando se tem um bairro planejado, é fácil projetar a sua infra-estrutura. Dentre os exemplos que ocasionaram o surgimento de verdadeiros bairros em Salvador, o arquiteto cita o Caminho das Árvores e o Loteamento Aquarius, na Pituba. “O Caminho das Árvores, por exemplo, originou-se de um loteamento implantado pela Odebrecht. Porém, o primeiro bairro planejado de Salvador foi os Barris”, pontua Nery.
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Novos empreendimento na RMS
Criar demanda em áreas pouco desejadas para moradia, principalmente pela distância e pouca infra-estrutura, é o objetivo das construtoras, que apostam nos bairros planejados. Negociando terrenos mais extensos e afastados do centro da capital, as empresas fazem economia de escala que pode ser repassada no preço final do metro quadrado. A Bairro Novo Empreendimentos Imobiliários, joint-venture entre a paulista Gafisa e a Odebrecht, por exemplo, acaba de anunciar o Bairro Novo Camaçari, com 6,5 mil unidades destinadas a pessoas com renda de quatro a dez salários mínimos. Além deste, a incorporadora anunciou que dentro de 60 dias vai lançar o Bairro Novo Salvador, que terá 1.650 unidades e será construído no km 4,5m da rodovia Aeroporto/Cia. Os preços variam entre R$50 mil e R$90 mil.
O presidente da incorporadora, Roberto Senna, explica que o Bairro Novo Camaçari contará com apartamentos e casas, em uma área total de um milhão de metros quadrados, no Espaço Alpha, próximo ao Hospital Geral e à fábrica da Ford. “Os prédios terão quatro pavimentos, de dois dormitórios, e cerca de quatro mil casas, com a opção de dois e três quartos”, descreve ele, complementando que o empreendimento corresponderá a 10% da população da cidade, que tem cerca de 220 mil habitantes. As residências com dois dormitórios terão 49m2 de área construída, sendo térreo e 1º andar, e mais cerca de 50m2 de quintal. Já as casas de três quartos terão 63m2 e contam com primeiro pavimento. Todas as opções têm com uma vaga de garagem privativa.
Quanto às vendas, Senna informa que inicialmente foram ofertadas 600 unidades e o restante será lançado de acordo com a demanda. “Camaçari vive o melhor momento econômico. Na Bahia há uma carência na oferta imobiliária para o público de menor renda, além disso a gente conhece muito bem esse mercado”, justifica.
Salvador - Segundo Senna, o Bairro Novo, cujo primeiro empreendimento surgiu no ano passado em Cotia, em São Paulo, é destinado às classes de menor poder aquisitivo e os preços variam entre R$50 mil, apartamento de dois quartos, e R$90 mil, casa com três dormitórios. Sem revelar maiores detalhes sobre o próximo lançamento da companhia na Bahia, ele diz apenas que o empreendimento de Salvador será construído numa área de aproximadamente 200 mil metros quadrados, ao lado da Quinta Portuguesa, e contará com três ou quatro torres de quatro pavimentos cada, com apartamentos de dois quartos. “Quanto aos investimentos, só posso revelar que o de Salvador será menor do que o de Camaçari, avaliado em cerca de R$600 mil”, acrescenta Senna.
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Projeto contará com 29 edifícios
O grupo Euluz Empreendimentos, responsável pela implantação dos shoppings Barra e Piedade, também anunciou a construção de mais um bairro planejado na capital baiana. O empreendimento, orçado em R$150 milhões, será levantado às margens da BR-324, nas imediações da Rótula do Abacaxi. O projeto inclui um shopping center, denominado Megacenter, 29 torres, sendo 24 residenciais (2.452 apartamentos), focada na população de média e baixa renda, e cinco comerciais (2.146 salas) em uma área de 340 mil metros quadrados, além de uma praça de alimentação, praça de eventos, um hipermercado, lojas âncoras, salas de cinema e mais de quatro mil vagas para estacionamento.
O diretor presidente da Euluz, Euvaldo Luz Neto, preferiu não revelar quando as obras serão iniciadas. Desde meados do ano passado aguarda a liberação do alvará de construção. Ele informou apenas que a empresa parceira do projeto é a JHSF Participações S.A., uma das empresas líderes no setor imobiliário brasileiro, com expressiva atuação nos mercados de incorporações residenciais e comerciais de alto padrão. “Hoje, com a dificuldade que as pessoas têm em se deslocar pela cidade, seja pelos engarrafamentos quilométricos ou até mesmo pela falta de segurança, a tendência é que surjam cada vez mais empreendimentos que, além de moradia, ofereçam entretenimento, serviços, etc”, pontua o dirigente.
A iniciativa – Somente o shopping previsto pela Euluz contará com 15 salas de cinema, 837 lojas no total e prevê a implantação de uma nova estrutura de acesso, nas proximidades do terminal do acesso norte. Estima-se que a iniciativa viabilize a abertura de 30 mil postos de trabalho, entre empregos diretos e indiretos, sendo cinco mil somente no Megacenter. O empreendimento pode proporcionar algo em torno de R$33 milhões por ano em impostos como ISS, IPTU e ICMS, sendo que, deste total, cerca de R$7,5 milhões serão arrecadados pelo município. “Nos tempos antigos, os bairros surgiram assim mesmo, com grandes empreendimentos. Este foi o caso do Imbuí e de tantos outros”, ressalta Euluz Neto.
Santander
Três membros da quadrilha acusada de roubar, em dois assaltos, cerca de R$35 mil do posto do banco Santander, localizado no Hospital Evangélico da Bahia, em Brotas, estão presos na carceragem da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos (DRFR). Eles confessaram que agiram a partir das informações reveladas pelo único segurança da unidade bancária, André Silva Souza, amigo de infância de um dos bandidos. Pouco mais de R$1 mil foram recuperados pela polícia, que investigará a origem do dinheiro, a partir do número de série das cédulas. O trio foi apresentado ontem na unidade policial.
Os assaltos ao posto, em 2 e 17 de junho, foram realizados nos dias de pagamento dos funcionários do hospital. Nas duas ocasiões, o segurança terceirizado não foi agredido nem teria apresentado resistência à ação, motivos que levaram os policiais a desconfiar dele. Foram detidos Ricardo Santos de Oliveira, 32 anos, líder do grupo e amigo do segurança, Marcos Paulo Santos Reis, 33, e Ivanés Lopes de Paula, 21. “Chegamos primeiro a Ricardo, foragido da (Colônia Penal) Lafayete Coutinho, por assalto a banco. Depois, desarticulamos o grupo”, explicou o titular da DRFR, Antônio Cláudio Oliveira.
Ricardo cumpria pena pelo assalto à agência do Banco do Brasil, no Canela, em 2000, e foi recapturado na última quinta-feira, no bairro de Cosme de Farias. Anteontem foram pegos os outros dois. Os três já tinham passagem na polícia por assalto e tráfico de drogas. Outros integrantes da quadrilha, cujos nomes não foram revelados, estão sendo procurados. Na prisão de Marcos Paulo, os policiais receberam uma proposta de R$10 mil do bandido, que acabou autuado em flagrante por tentativa de suborno e tráfico de drogas, uma vez que transportava cocaína no veículo que dirigia na Avenida Bonocô.
Em seguida, foi preso Ivanés, no bairro de Campinas de Brotas, com cerca de R$1,4 mil escondidos na casa de sua mãe, na mesma rua. O segurança André Silva Souza, que até sexta-feira continuava prestando serviço à empresa para a qual trabalha, teve pedido de prisão temporária solicitado pelo delegado. Em depoimento, André, que foi liberado após a oitiva, contou que recebeu R$1,2 mil como pagamento pelas informações e conivência com o trio. (MR)